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Arte do Antigo Egito

Arte do Antigo Egito

Os antigos egípcios produziram arte para servir propósitos funcionais. Por mais de 3 500 anos, os artistas aderiram a formas artísticas e a iconografias que foram desenvolvidas durante o Império Antigo, na sequência de um rigoroso conjunto de princípios que resistiu à influência estrangeira e à mudança interna.[296] Estes padrões artísticos – linhas simples, formas e áreas planas de cores combinadas com características projeções planas das figuras sem indicação de profundidade espacial - criou um senso de ordem e equilíbrio dentro de uma composição. Imagens e textos foram intimamente entrelaçados nas tumbas e paredes dos templos, caixões, estelas e até estátuas. A Paleta de Narmer, por exemplo, exibe figuras que também podem ser lidos como hieróglifos.[297] Por causa das regras rígidas que presidiram à sua aparência altamente estilizada e simbólica, a arte serviu a seus propósitos políticos e religiosos com precisão e clareza.[298] A hierarquia social e religiosa influenciava no tamanho dos personagens.[299]

As figuras nas pinturas e baixo-relevos são descritas respeitando-se a lei da frontalidade: cabeça, pernas, peito, ventre e braços de perfil; olhos, ombros, umbigo e baixo-ventre de frente.[300] O personagem principal de uma pintura devia aparecer sempre maior do que os personagens secundários. Faraós mandaram gravar em relevos vitórias de batalhas, decretos reais e cenas religiosas. Eram dispostos em faixas horizontais acompanhados por hieróglifos e apresentavam até "balões" indicando falas.[301]

As cores possuíam uma função simbólica nas pinturas: o preto (sobrancelhas, perucas, olhos e bocas) simbolizava a noite, a morte, a fertilidade, a regeneração e as inundações do Nilo; o branco (vestes dos sacerdotes, objetos rituais, casas, flores e templos) a pureza, verdade, alegria e triunfo; o azul, o Nilo e o céu; o verde, a regeneração e a vida; o amarelo, a eternidade; e o vermelho, a energia, o poder, a sexualidade e Seti. A pele dos homens era pintada de vermelho-ocre e a das mulheres de amarelo-ocre.[299][301] As tintas eram obtidas a partir de minerais, como minérios de ferro (ocre vermelho e amarelo), minérios de cobre (azul e verde), fuligem ou carvão (preto), e calcário (branco). As tintas podem ser misturadas com goma-arábica como aglutinante e prensadas em bolos, que podiam ser umedecidos com água quando necessário.[302] No entanto, análises de múmias de cerca de 3 200 a.C. mostram sinais de anemia hemolítica e outros distúrbios, causados por intoxicação com metais pesados (chumbo, mercúrio, arsênio, cobre) que eram usados como pigmentos, corantes e maquiagem, especialmente pelas classes dominantes.[303]

Os artesãos do Antigo Egito usavam pedra (basalto, pórfiro, xisto, diorito e o granito) para esculpir estátuas e finos relevos, mas usavam madeira como um substituto barato e fácil de esculpir. Algumas estátuas serviam objetivos políticos, sendo colocadas diante dos templos para que o povo as visse, mas tinham sobretudo um objetivo religioso.[carece de fontes] No geral as estátuas têm figura que olha à frente, numa linha perpendicular ao plano dos ombros, com os braços colados ao corpo. As estátuas que se encontravam nos túmulos eram consideradas como uma espécie de corpo de substituição; o  e o  deveriam reconhecer o rosto onde habitavam, não sendo por isso relevante mostrar os defeitos do corpo. Algumas estátuas atingiam proporções grandiosas, como a Esfinge de Giza e os Colossos de Memnon.[106][131]

Os cidadãos comuns tiveram acesso a obras de arte funerária, tais como estátuas chauabtis e o livro dos mortos, que acreditavam que iria protegê-los na vida após a morte.[290] Durante o Império Médio, modelos de madeira ou de barro com cenas da vida diária tornaram-se populares aditamentos aos túmulos. Em uma tentativa de duplicar as atividades da vida após a morte, estes modelos mostram operários, casas, barcos e até mesmo formações militares que são representações à escala do ideal de vida após a morte dos antigos egípcios.[304]

Apesar da homogeneidade da arte, os estilos de determinadas épocas e lugares, por vezes reflete a mudança de atitudes culturais ou políticas. Após a invasão dos hicsos no Segundo Período Intermediário, afrescos de estilo minoico foram encontrados em Aváris.[305] O exemplo mais marcante de uma mudança de motivação política na forma artística encontra-se no período Amarna, quando as figuras foram radicalmente alteradas em conformidade com as ideias religiosas revolucionárias de Aquenáton.[306] Este estilo, conhecido como a arte Amarna, foi rapidamente e completamente apagado depois da morte de Aquenáton e substituído por formas tradicionais.[307] Durante a época romana os retratos de Faium dominaram a composição mortuária. As máscaras mortuárias foram substituídas por retratos realistas dos defuntos.[301]

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